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quarta-feira, 4 de março de 2009

Dados biográficos de alguns Artistas do passado

(Não esquecer, durante a leitura dos registos biográficos, que os textos foram escritos na década de 1920.)


Amélia Rey Colaço - (ACTRIZ) - Filha do grande artista Alexandre Rey Colaço, nasceu em Lisboa, em 2 de Março de 1900. Impelida para o teatro por uma vocação irresistível, representou com amadores, sendo a sua educação artística dramática, mesmo antes da entrada para o teatro profissional, dirigida pelo grande mestre Augusto Rosa. Estreou-se então no Teatro República (hoje S. Luís) em 17 de Novembro de 1917 com enorme êxito, na peça Marianela. A seguir representou muitas peças com sucesso, tanto naquele teatro como no Nacional, Ginásio e ultimamente no Politeama, onde é empresária com seu marido o actor Robles Monteiro. Se não fora o termos dado a estas notas um aspecto ligeiro, diríamos que é uma das melhores e raras esperanças do Teatro português, hoje quase definitivamente consagrada.


André Brun(COMEDIÓGRAFO) – Nasceu em Lisboa em 9 de Maio de 1881. § É um escritor humorista, um dos mais interessantes no seu género, jornalista e cronista muito editado. Estreou-se em 1901 no Teatro da Rua dos Condes de Lisboa, na peça Tabelião do Pote das Almas, de colaboração com Carlos Simões, com quem também escreveu a Lenda das Tarlatanas. A sua primeira peça foi representada por uma companhia dirigida por Carlos Borges, de que faziam parte Vale e Joaquim de Almeida. A sua obra-prima é incontestavelmente A Vizinha do Lado. Resumindo: 18 anos de actividade teatral; 53 peças, sendo12 em colaboração, num total de 121 actos; 31 originais, 12 adaptações e 10 traduções. § O seu último original A Vida dum Rapaz Gordo.


Arnaldo Leite e Carvalho Barbosa – (COMEDIÓGRAFOS) – São dos humoristas mais interessantes do nosso país. § Portuenses de gema; têm colaborado sempre em conjunto. A primeira peça que escreveram foi Contas do Porto, revista em 3 actos com música dos maestros Manuel Benjamin e Esteves Graça. Representada pela 1.ª vez no Teatro Carlos Alberto, Porto, em 19 de Dezembro de 1908. § Possuem uma grande bagagem de revistas e comédias re­presentadas em Lisboa e Porto. Uma das suas últimas comédias de grande êxito foi Cama, Mesa e Roupa Lavada. São directores do jornal humorístico Cócó-ró-có.


Augusto Rosa - (ACTOR) - Em 1852, a 6 de Fevereiro, nasceu em Lisboa este grande artista. De­butou no Teatro Baquet, do Porto, sob a direcção de seu pai, o actor João Anastácio Rosa, em 31 de Janeiro de 1872, na comédia O Morgado de Fafe em Lisboa. Nesse mesmo ano a na mesma peça a 5 de Dezembro estreou-se no Ginásio de Lisboa. § Depois passou ao Trindade e mais tarde foi para o D. Maria com a célebre Companhia Rosas e Brazão, de saudosa memória. E ali fez um largo reportório em que demonstrou qualidades de grande actor e de director artístico, que mais tarde, no D. Amélia, se manifestaram também, num reportório moderno admirável, como sejam as criações de ensaiador no Sansão, Ladrão, O outro eu e tantas, tantas verdadeiras maravilhas de arte pura. § Faleceu em 2 de Maio de 1918. Era irmão do maior actor dos nossos tempos: João Rosa.


Chaby Pinheiro(ACTOR) – Depois de ter sido um amador distintíssimo, estreou-se no Teatro D. Maria II com a Empresa Rosas e Brazão, numa peça em um acto O Tio Milhões, desempenhando o papel de Augusto Litzman, há 28 anos. § Depois disso, e apesar de muitos dizerem que o seu fí­sico não poderia vencer as possibilidades cénicas, o valor real do artista e diseur conseguiu impô-lo e elevá-lo à categoria dos primeiros actores portugueses. § Ultimamente fez uma viagem pelo estrangeiro, devendo reaparecer em breve, na peça Abade Constantino.

Erico Braga(ACTOR) – Nasceu no Brasil mas é português de coração. Não diz a idade a ninguém. Há contudo quem diga que, apesar de tudo, é rapaz dos seus trinta e três... Atraído para o teatro, representou com amadores em récitas elegantes. No teatro público, estreou-se no Politeama, de Lisboa, em 16 de Janeiro de 1916, na peça A Vida de um Rapaz Pobre, papel de Bevalin. § Passou mais tarde do Nacional, transitou pela revista fazendo o compère do Burro em Pé. § Depois de fazer uma sociedade com Macedo e Brito no Politeama, tornou-se independente e foi para o Brasil com a Companhia Lucinda Simões. § É hoje director-gerente da mesma companhia que tem o seu principal estágio no Teatro S. Carlos de Lisboa. § É marido da grande actriz Lucília Simões.


Ester Leão(ACTRIZ) – Estreou-se no antigo Teatro D. Amélia na peça O Assalto, ao lado de Augusto Rosa de quem foi discípula. Esteve depois muito tempo afastada do teatro, voltando mais tarde e distinguindo-se nos trabalhos realizados no Teatro Politiama, Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro. Ingressou ou depois no Teatro Nacional, como societária, onde esteve duas épocas fazendo principais papeis, entre eles, o de A Severa. Ultimamente deu-se um incidente com esta artista, por ter partido para África sem licença e fora dos preceitos da lei. Voltou há pouco da sua digressão, tendo representado A Anedota de Marcelino de Mesquita em S. Tomé. § Cumpre actualmente o castigo, muito benévolo, imposto pelo ministro da instrução, Dr. Sousa Júnior.


José Ricardo (ACTOR) – Nasceu em Lisboa, em 9 de Fevereiro de 1859. § Há quem diga que apareceu pela primeira vez, tendo apenas quatro anos, fazendo o Ano Novo na revista de Manuel Roussado, Fossilismo e Progresso. Sousa Bastos, na Carteira do Artista, nega esse facto dizendo que tal­vez se estreasse na Revista de Vasconcelos Correia ou nos Melhoramentos Materiais, do actor Isidoro. Foi nesta última peça que se estreou. § Em 27 de Janeiro de 1925 fez-se-lhe uma festa de ho­menagem, pelas bodas de ouro teatrais, no Teatro Nacional.


Dr. Júlio Dantas(DRAMATURGO) – Nasceu em Lagos, a 19 de Maio de 1876. § Estreou-se como dramaturgo no Teatro de D. Amélia, com a peça O que Morreu de Amor, representada pela Companhia Rosas e Brazão. § Antes dessa peça fez a tradução de Cyrano de Berge­rac, de colaboração com Manuel Penteado. § É um dos dramaturgos mais representados no estran­geiro, director da Escola de Arte de Representar e inspe­ctor das Bibliotecas e Arquivos.


Marcelino Mesquita(DRAMATURGO) – Nasceu no Cartaxo em 1 Setembro de 1856. Foi um dos mais extraordinários dramaturgos dos últimos tempos. § Pode mesmo dizer-se que foi o nosso maior Teatralizador. § Estreou-se no Teatro de D. Maria com a peça Leonor Teles, que foi representada por estudantes, e que teve tanto sucesso que ficou, para sempre, no reportório daquele teatro, tendo sido, portanto, representada por artistas. § A sua segunda peça, A Pérola, subiu à cena no Príncipe Real a 23 de Maio de 1885. Esta peça provocou grande discussão. § Depois disso, êxitos enormes: Os Castros, O Velho Tema, Dor Suprema, O Regente, etc. Mais tarde, as grandes peças: Envelhecer, Pedro Cruel, Margarida do Monte, etc. Peça de escândalo: A Noite do Calvário. § Marcelino morreu há anos, não deixando continuador da sua maneira, que até agora, pudesse ombrear com a sua obra.


Maria Matos(ACTRIZ) – Nasceu em Lisboa, em Outubro de 1887. § Estreou-se no teatro de D. Maria, de Lisboa, na peça Judas, de Augusto de Lacerda. § Foi aluna do Conservatório, onde obteve um primeiro prémio. § Anda actualmente em tournée pelas províncias. § É casada com o actor-empresário, Mendonça de Carvalho e mãe da actrizinha Maria Helena.


Virgínia Dias da Silva - (ACTRlZ) - Nasceu em 19 de Março de 1844. Estreou-se em 1866, no Teatro do Príncipe Real, num pequeno papel da comédia em 2 actos Mocidade e Honra, revelando imediatamente o que dela havia a esperar. A sua voz era extraordinária. Tomou conta do Teatro, que era, aquando da sua estreia, dirigido por César de Lima, o grande mestre Santos Pitorra e, debaixo da Sua direcção, começou Virgínia fazendo progressos, prodígios mesmo. § Quando Santos passou ao D. Maria, levou Virgínia para o lugar vago pela morte de Manuela Rey. Foi mais tarde como sócia para o Trindade, onde foi primeira-dama dramática. § Ainda mais tarde voltou para o D. Maria, deixando depois de representar e vindo a falecer muitos anos depois

terça-feira, 3 de março de 2009

Palmira Bastos

Palmira Bastos

Actriz portuguesa nascida a 30 de Maio de 1875 na aldeia da Gavinha, no concelho de Alenquer e falecida em Lisboa, a 10 de Maio de 1967. Foi uma das grandes damas do teatro nacional, tendo representado em todos os géneros, desde o drama à comédia, passando pelo teatro de revista e pela opereta. De seu nome Palmira Martinez de Sousa, era filha de artistas ambulantes espanhóis bastante humildes. Estreou-se em teatro no ano de 1890 com a peça O Reino das Mulheres, levada a cena no teatro da Rua dos Condes, em Lisboa. Em 1894, casou-se com o empresário António de Sousa Bastos, de quem enviuvaria em 1911. Voltou a contrair matrimónio em 1914 com o actor Almeida Cruz. Entre 1893 e 1920, fez inúmeras digressões pelo Brasil, país onde conheceu grande sucesso. De regresso a Portugal, optou por dedicar-se ao teatro declamado e em 1922 fez a sua única aparição cinematográfica no filme mudo O Destino de Georges Pallu. Fez parte da Companhia Amélia Rey Colaço- Robles Monteiro e em 1931, integrou os quadros do Teatro Nacional Dona Maria II. Protagonizou um dos momentos históricos da RTP quando protagonizou em directo a peça As Árvores Morrem de Pé (1960). Já nonagenária, fez a sua última aparição teatral com O Ciclone (1966). Das muitas homenagens e distinções que recebeu, destacam-se a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa, o Prémio António Pinheiro, do SNI em 1962 e a Comenda da Ordem Militar de Cristo, em 1965.

Teatro Português

Teatro Português

A problemática da existência de um teatro português.


Existe um teatro Português?
Esta interrogação sobre a existência de um autêntico teatro português vem de longe, entendendo-se este como forma de expressão artística e não apenas literária, com características próprias e com o objectivo de elevar a identidade nacional.

Sobre esta temática pronouciaram-se Garret afirmando estar preocupado com a "esterilidade dramática", mas também Eça de Queirós num artigo de As Farpas que parecia responder afirmativamente à pergunta levantada anos atrás ao seu compatriota. Aliás para Eça " o português não tem génio dramático, nunca o teve mesmo entre as gerações literárias passadas, hoje clássicas", esquecendo deste modo nomes como Gil Vicente, António José da Silva.
A opinião de Fialho de Almeida, corroborava as anteriores, dizendo que salvo Gil Vicente nenhum outro dramaturgo português alcançou a universalidade de um Camões, um Eça, um Pessoa, o que parece revelar uma fraqueza congénita do povo português para a criação teatral.

Para conseguir retirar alguma conclusão verosímil será necessário conjugar a especifidade do teatro como categoria estética e os contextos históricos onde se tenta desenvolver. E dúvida que deste enquadramento se depreende a natureza do teatro enquanto ligada directamente a factores sociais, económicos, políticos, dependendo as condições cénias da presença de uma comunidade de sentimentos e opiniões de consciências, o que já por si é dificil de encontrar. A juntar a esta dificuldade ainda é necessário acrescentar o temperamento português individualista e avesso às grandes empresas colectivas, sendo a epopeia dos Descobrimentos possivelmente a única excepção, pois pressupôs uma conjugação ordenada de esforços, o que também se deveria reflectir no teatro.

Talvez o problema do teatro nacional mexa com toda a estrutura da sociedade portuguesa. Sem dúvida que só intervalarmente o teatro surgiu e sempre com uma faceta comunitária, foi o caso de Gil Vicente que surgiu na corte Quinhentista do rei D.Manuel e plena expansão maíritima e posteriormente, três séculos mais tarde, Almeida Garrett durante a restauração romântica e liberal.

De notar que nestes períodos a acção repressiva das instituições vigentes encontrava-se atenuada. Ainda assim, muitos foram os ensaístas, poetas ou romancistas que se serviram desta categoria literária, embora descontinuamente, ora aberto à gargalhada, ora fechada à dolorosa tragédia, memória e testemunho da vivência colectiva de um povo cuja identidade se procura exprimir através de uma linguagem própria, e sem a qual se criaria uma imagem desfocada da cultura portuguesa.

in http://www.underportugal.com/oteatro/htp01.asp

Teatro Português - Laura Alves - A Menina Feia

Teatro Português - Laura Alves

Teatro Portugês - Laura Alves

Laura Alves Magno (Lisboa, 8 de Setembro de 1927 - Lisboa, 6 de Maio de 1986) foi uma actriz de teatro, televisão, e cinema, portuguesa.
Laura Alves nasceu no número 638 da Rua de São Bento de Lisboa. Foi actriz portuguesa conceituada, vendo o seu talento reconhecido além-fronteiras.
Frequentou aulas de dança no Conservatório Nacional, Trabalhou muitos anos no Teatro Monumental em Lisboa, onde se iniciou aos nove anos de idade. Após a demolição do teatro ia frequentemente sentar-se junto aos escombros só para estar naquele lugar onde tinha trabalhado tanto.
Estudou na Escola Industrial Machado de Castro. Actriz teatral desde 1935. Frequentou o curso de Dança do Conservatório Nacional. Alcançou sucesso em palco, nos diversos géneros: revista, opereta, comédia e drama, sobretudo no Teatro Monumental (1951). Retirou-se em 1982.
Foi casada com Vasco Morgado (1946) e Frederico Valério.
Em 1986 foi homenageda como o filme Laura Alves, Evocação de uma actriz. Em 2001, foi homenageada no Teatro Politeama.
Era casada com o empresário teatral Vasco Morgado e mãe de Vasco Morgado, Jr..
In: Wikipedia

O Teatro Português e o 25 de Abril : uma Historia ainda por contar

Instituto Camões

Revista de Letras e Culturas Lusófonas

Número 5 · Abril-Junho de 1999

O Teatro Português e o 25 de Abril: uma História ainda por contar
Eugénia Vasques

A Revolução de 25 de Abril de 1974 representa o início de uma nova era no Teatro português, depauperado por 40 anos de obscurantismo e Censura. Nos anos imediatos à revolução foi um teatro à procura de um diálogo com o seu tempo. O realismo social estava na ordem do dia, ligado à tomada de posições políticas; mas paralelamente era também um espectáculo à procura de um público, e de um modelo de criação.
A proliferação de grupos de teatro independente característica destes anos, permite ao teatro português consolidar a sua posição no meio artístico, através de uma grande diversidade de estéticas e de públicos. «Estas novas entidades congregavam, maioritariamente, jovens profissionais, alunos oriundos do novo Conservatório, actores do teatro universitário ou jovens saídos de cursos ministrados por convidados estrangeiros que então visitaram Portugal. A estas estruturas(...) se ficaria a dever, em grande parte, a abertura de novos percursos no teatro, a afirmação de diversificados repertórios ou a procura de conceitos diferenciados (...) de direcção e encenação.»
A partir de meados dos anos 80, começam-se a esboçar noções como a de marketing cultural, gestão teatral, e «artes performativas». Assiste-se à redefinição do panorama teatral, caracterizada pela institucionalização da segunda geração de independentes, e ao aparecimento de uma novíssima geração de rebeldes, que embora muito diferentes entre si, têm em comum um teatro assente na palavra, na encenação, e na imagem e carisma do actor.
A partir da década de 90 o teatro português vê alargar o seu espectro de criadores. Surgem novas estéticas, muito ligadas à multiplicação dos Festivais de Teatro, e aos contactos com companhias estrangeiras convidadas.


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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009