quarta-feira, 12 de novembro de 2008

São Martinho

Conta a história…
Há cerca de 1600 anos, vivia na cidade de Sabária, na Hungria, um valente cabo-de-guerra romano. Quando lhe nasceu um filho (por volta do ano 316) pôs-lhe o nome de Martinho, pois Marte era para os romanos o deus da guerra.
Para que Martinho se habituasse às lides guerreiras, o pai levava-o ainda pequeno para os acampamentos. Mais tarde, foi viver para a Itália com o pai que, entretanto, tinha sido transferido para Pavia.
Certo dia, espavorido com uma forte trovoada, refugiou-se numa igreja onde um bispo se encontrava a pregar um sermão sobre a vida de Cristo e dos apóstolos. Martinho ficou tão interessado na doutrina que ouvira expor que, desde esse dia, começou a preparar-se para se tornar cristão.
Aos 15 anos tornou-se soldado e, pouco depois, foi enviado para Amiens, no norte da Gália.
Um dia, ao entrar na cidade, encontrou na berma da estrada um pobre homem a tremer de frio. Como não tinha dinheiro para lhe dar, Martinho repartiu com ele o que possuía: rasgou com a espada a sua capa ao meio e deu metade ao pobre. Foi a partir deste gesto de generosidade que se criou o costume, que tem perdurado até aos nossos dias, de fazer do dia de S. Marinho, um dia de "partilha". O tradicional "Pão por Deus" que ainda existe em muitas aldeias portuguesas é disso um exemplo.
Conta a história que, nessa mesma noite, Martinho teve uma visão: acordou e viu Jesus trazendo a metade da capa que ele dera ao pobre homem. Ficou tão contente que, logo na manhã seguinte, se dirigiu à igreja mais próxima e pediu para ser baptizado.
Diz ainda a tradição que, em memória de S. Martinho, no seu dia nunca há frio. Daí o hábito de se designar ao tempo soalheiro que se sente nas proximidades de 11 de Novembro, por "Verão de S. Martinho".
Mais conta a história que, dois anos depois, Martinho não quis continuar a ser soldado e decidiu seguir a vida religiosa. O pai de Martinho não aceitou bem esta decisão, pois preferia que ele fosse militar, no entanto, Martinho persistiu, regressando a França onde fundou, em Ligugé, um pequeno mosteiro, que foi o primeiro da Europa.
De todas as partes acorriam pessoas a pedir-lhe ajuda: doentes e atribulados, todos encontravam em Martinho um sólido apoio. Mais do que acolher multidões, Martinho gostava da vida solitária, do silêncio e da oração. Quando morreu o bispo de Tours, Martinho teve de o substituir mas não quis residir no paço e, por isso, fundou outro pequeno mosteiro nas margens do Loire, onde passou a viver austeramente com alguns monges.
Era tal a simpatia, a estima e a consideração que as pessoas tinham por Martinho que um dia o imperador o convidou para a sua mesa, na sua residência em Tours.
(autor desconhecido)

Sem comentários: